domingo, 31 de dezembro de 2006

Barcelona - Espanha












2006.12.31 - Barcelona - Espanha
Na primeira vez que estive na Espanha, após conhecer Madri e depois ir a Barcelona, fiquei com a nítida impressão que tinha muito mais a cara da segunda cidade do que da primeira, os catalães me pareceram mais abertos, falantes, acolhedores, mais "latinos" que os madrilenhos. Hoje, após conhecer melhor os jeitos e trejeitos deles, acho que prefiro o jeito madrileño (isso até eu também morar um dia em Barcelona e mudar completamente de opinião...hehehe).

Barcelona é linda, cheia de vida, uma vida pulsante tanto na cidade quanto na praia, seu centro é recheado pelo estilo gótico e muito charmoso e bonito, você vai caminhando em ruas super estreitas e de repente, pronto, uma construção gótica... demais! Começando, ficamos em um albergue no coração do bairro gótico, muito legal ali, é um dos albergues mais diferentes em que já fiquei, não tinha camas, somente colchões estirados em cubículos de madeira, mais ou menos 8 pessoas por quarto, mixto. Tinha muita gente legal e bem mergulhada no estilo animado de Barcelona, assim, fomos conferir a cidade neste espírito.

Como estávamos em pleno bairro gótico, começamos por ali, vimos a belíssima catedral de Barcelona, que infelizmente estava sob reforma, escondida um pouco atrás das estrutura de restauração e conservação, mas deu pra sentir sua imponência no coração da cidade. Caminhamos diretamente para a famosa Las Ramblas, uma comprida rua cheia de coisas para fazer, para comprar, restaurantes para comer (mandamos ver uma bela paella com uma sangria para acompanhar) e gente bonita para se ver, de todos os lugares do mundo, bem legal. A cidade estava numa atmosfera muito positiva pois era anti-véspera de ano novo, então as pessoas estavam super animadas (bem típico dos espanhóis e catalães, representar o mesmo ou não é uma grande e histórica discussão) em ficar vagando pela rua.

Pegamos o metrô e fomos diretamente ver a incrível igreja projetada por Gaudí, a Sagrada Família, como muitas e muitas outras obras pela cidade, o cara era realmente diferente, suas construções e ideias tem uma característica evidente e inconfundível além de, na minha opinião, serem muito elegantes e originais. Assim, chegamos à Sagrada Família, um espetáculo difícil de expressar por palavras, deixo algumas fotos confirmarem isso por mim. O fato é que Gaudí devia ter alguns parafusos a menos para fazer coisas tão "modernas" até mesmo em estruturas sacras. A Sagrada Família ainda está inacabada, e provavelmente demorará algumas boas dezenas de anos para ficar completa segundo o projeto original de Gaudí que, infelizmente, não o verá completamente realizado já que faleceu em 1926 aos 74 anos. Outras obras bem visitadas dele pela cidade são La Pedrera e algumas espalhadas pelo Parque Güell (no parque não conseguimos ir), vale a pena conferir.


Da igreja fomos conhecer as colinas de Montjuïc, existem maravilhosas atrações para se ver por ali, onde está o estádio olímpico símbolo das Olimpíadas de 1992, um castelo charmoso com uma vista panorâmica do cais impressionante (e com super ventos) e o Palau Nacional. Visitamos tudo isso caminhando (muitos quilômetros de verdade e passamos muito frio no topo da colina, foi difícil) e uma coisa bem legal aconteceu, quando estávamos partindo vindo do Palau Nacional em direção ao metrô, ao pararmos um pouco para descansar, iniciou-se um show de águas dançantes em frente ao Palau, em seguida raios de luzes partiram pelo céu e começou a rolar uma série de músicas animadíssimas, foi animal e era a comemoração antecipada do ano novo que estava por chegar, eu e o Pistelli ficamos ali babando e curtindo muito, foi inesquecível. 
No dia seguinte, conhecemos mais o centro da cidade, fiz algumas compras e fomos visitar, óbviamente, o épico estádio do Barça, o Camp Nou, na arquibancada a célebre frase "Més que un Club" (mais que um clube), e eles tem muita razão. O estádio é incrível, um dos maiores da Europa, e tem um museu espetacular com registros da trajetória do Barça desde sua fundação em 1899... demais!! Como amantes do futebol, ficamos ali viajando e depois apertamos o passo para nos prepararmos para o ano novo, ia ser mesmo uma maratona pois caminhamos o dia todo, estávamos exaustos, mas tínhamos que arrumar energia para ficar prontos rapidamente e comemorar a virada nas ruas com os catalães, e assim foi, nada parecido com a farra que existe no Brasil (eu contei 5 bombas que estouraram no céu, ficou bem atrás da barulheira do meu bairro em SP), foi calmo demais para o meu gosto, mas estava divertido, e seguro.

Curtimos muito o clima da cidade e aproveitamos até o fim, mesmo sabendo que no dia seguinte tinha que levantar super cedo, dia 01, trem rumo a Paris. Encantadora Barcelona, quero voltar um dia, mas no verão!!!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Toledo - Espanha












2006.12.28 - Toledo - Espanha
Para quem estiver em Madri ao viajar para a Espanha, vale muito a pena investir um dos dias de viagem para visitar a linda cidade de Toledo, junto de Brugges na Bélgica, uma das cidades medievais mais bem conservadas da Europa. Toledo se destaca pela igrejas imponentes e pela suntuosa Catedral no coração da cidade, além disso caminhar e se perder pelas agradáveis ruelas vale demais, enfiar-se nas lojinhas e restaurantes locais e provar os pratos típicos do lugar, é uma delícia fazer isso, principalmente depois de ter andado muito e muito e muito o dia inteiro, só para relaxar.

Ao chegar em Toledo, as atrações a serem visitadas são tantas que gera logo de cara uma dúvida por onde começar, vale então pegar o mapinha da cidade e principais locais logo no centrinho na entrada histórica, existem ali pontos de orientação aos turistas e, caso não tenha um bom guia ou mapa, é possível que você passe pertinho de lugares muito interessantes e não os visite. Dos mais destacados vale conferir La Puerta de Sol com seus arcos mouros, a Praça de Zocodover, principal praça da cidade cheia de cafés, e, é claro, a catedral de Toledo.

A catedral de Toledo é simplesmente gigantesca, uma das maiores catedrais do mundo cristão, demorou 267 anos para ser concluída e data do final do século XV, uma preciosidade. Devido ao longo tempo que levou para ser construída, ela possui várias influências em sua arquitetura, características do período Visigodo, francesas, espânicas são as principais. Por dentro, uma impressionante coleção de obras em ouro, muito ouro mesmo (pensei um pouco na conquista das Américas, de verdade), um belíssimo altar extremamente detalhado com passagens bíblicas e santidades católicas e esculturas em mármore por todos os cantos do interior da catedral.
  
Um dos pontos característicos não apenas na catedral, mas também em várias outras igrejas de Toledo e outras cidades espanholas são as pinturas de El Greco, tem uma identidade muito específica e, de verdade, são umas das poucas as quais consigo identificar o autor logo ao bater o olho na pintura, muito expressiva. Para completar, vale caminhar pelas ruazinhas e comprar umas lembrancinhas típicas medievais (oferta é o que não falta), bem gostoso conhecer Toledo e vale com certeza colocar no trajeto durante uma visita à Espanha.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Lisboa - Portugal

2006.12.24 - Lisboa - Portugal











"O primeiro mochilão a gente nunca esquece... os demais menos ainda." Adoro esta frase, e me orgulho em dizer que Lisboa foi o ponto de partida do meu primeiro mochilão, e que charme tem esta cidade, principalmente para nós brasileiros que temos laços muito estreitos com nosso colonizadores e sua história.

Chegamos em Lisboa no dia de natal, a cidade estava toda decorada com luzes, árvore e enfeites nos monumentos, muito bonito, mas admito que deu bastante saudade da família por estar longe deles nesta data. Lisboa é fascinante, caminhar pelas ruas vale muito a pena e já do centro se pode ver o Castelo de São Jorge no alto da cidade, foi o primeiro lugar que visitamos e o dia ajudou muito. Do castelo se tem uma vista privilegiada de toda a cidade, em um dos jardins suspensos que possui, no interior e logo após a entrada, diversos espaços representavam os mais diversos fins para a realeza relaxar e curtir a vida, como viviam bem os nobres (e em escassez os pobres).

Castelo de São Jorge

Grande parte dos monumentos e locais mais conhecidos de Lisboa estão situados à beira do Rio Tejo, quantas estórias e poemas dos livros que estudamos se referenciam ao Tejo, muito legal estar ali e observá-lo, de onde partiam as caravelas rumo ao novo mundo e às Índias. Vamos admitir que os caras eram muito corajosos de lançarem-se ao mar, encarar o Atlântico desconhecido, em inúmeras viagens que duravam meses e não tinham sucesso algum garantido. Incrível o status e conquistas que alcançaram com o que tinham de tecnologia na época! Poxa, de tanto tentarem, acabaram trazendo espelhos para a gente, olha que bacana... Assim, nada mais justo existirem diversos monumentos em sua homenagem.


Monumento ao Descobrimento

Enfim, clássico mesmo é visitar a Torre de Belém, já com o sol quase se pondo, um dos pontos altos da viagem, a torre representava uma referência aos navegadores na partida e chegada das embarcações das longas viagens.


Mosteiro dos Jerônimos





























Também ao lado do Tejo está o famoso Mosteiro dos Jerônimos, de uma arquitetura lindíssima, e no interior túmulos de diversos membros da realeza e de outros portugueses notórios como Vasco da Gama e Luís de Camões. Continuamos a caminhada pelo Tejo e vimos o Monumento aos Descobrimentos e a Praça do Comércio, toda decorada com enfeites natalinos e uma árvore de natal enorme.

Parque das Nações

















Torre de Belém, com o Tejo à luz do luar :-)



















































No dia seguinte, pegamos um trem para o norte da cidade para visitar o moderno Parque das Nações e o Oceanário de Lisboa (o segundo maior oceanário do mundo, até então...), muito legal e com uma diversidade de espécies marinhas impressionante. A visita como um todo vale a pena demais, com tudo muito bem organizado e tranquilo, para aproveitar ao máximo o passeio. Ainda deu tempo de comer um bom bacalhau com um vinho branco em Sintra e relaxar ao lado do Tejo vendo as águas correrem e o sol debandar (tome essa Fernando Pessoa!).

Entrada do Castelo de São Jorge

Terra à vista!!



Realmente uma cidade encantadora e dá pra se sentir um pouco em casa ao lado dos portugueses, com certeza. Bem escolhida como porta de entrada para um bom mochilão na Europa Central, em uma mistura de saudosismo histórico luso-brasileiro com a tradição do velho mundo, ao bom som de um tristonho e envolvente fado.